Capítulo 16 - A Verdade.
Senti cócegas nos pés, tentei esconde-los em baixo das cobertas, mas sentia mesmo em baixo delas. Depois de algum tempo assim resolvi abrir os olhos.
- Já fazem 3 dias Karen. – Liam me olhava agora deitado ao meu lado.
- Eu não posso ir pra escola assim. – Respondi me cobrindo até o pescoço.
Desde a discussão com o Harry a 3 dias atrás eu fiquei extremamente doente impedindo ao minha volta as aulas. Não sei se é o câncer o a falta que ele me faz, mas me sentia um trapo.
- Harry liga toda hora e já veio aqui pelo menos 3 vezes. Ele não vai desistir. – Liam colocou um termômetro em baixo do meu braço.
- O que vocês estão falando pra ele? – Falei depois que o termômetro apitou.
- A verdade. Que você está doente e não pode receber visitas. – Liam me mostrou o aparelho marcando 37 graus.
- O que eu faço Liam? – Minha vista já embaçada com as lagrimas.
- Bom você não está mais com febre e parece estar mais corada. Sugiro que saia dessa cama tome um banho, coma alguma coisa e receba ele. Conte a verdade Karen, você prometeu.
- Eu sei, mas estava tudo perfeito até... – Parei ao lembrar.
- Até você perceber que o ama? E que ele te ama? Isso não é motivo pra fugir e não contar a verdade maninha.
- Eu sei. – Falei já com lagrimas escorrendo em meus olhos. Liam me abraçou e ficamos assim por um tempo.
Decidi seguir seus conselhos, me levantei, tomei meu banho, me arrumei, passei uma maquiagem pra esconder o rosto cansado, comi algo e prometi a minha família preocupada que estava bem e que voltaria logo.
- Sabia que te encontraria aqui – Falei me sentando e encostando-se à bem conhecida arvore.
- Foi onde nos conhecemos de verdade. Foi onde tudo começou. – Harry respondeu sem olhar pra mim.
- Me desculpe Harry, eu... – Não consegui terminar.
- Falaram que estava doente. Está tudo bem agora? – Se virou pra me olhar agora, meu coração acelerou.
- Por enquanto sim. Harry eu vim pra te dizer uma coisa.
- Eu só queria entender o porquê de tudo aquilo Karen. – Harry estava com olheiras piores que a minha.
- Eu sei, vou te explicar tudo, mas já te adianto que não vai ser feliz Harry. E quando eu terminar você pode voltar a sua vida normal ok eu não vou te julgar. – Respirei fundo e continuei. – Tudo começou ano passado quando comecei a ficar muito doente e descobrimos que herdei algo do meu pai, Câncer...
Contei desde o começo até o momento que o conheci de verdade, chorava em algumas partes, gaguejava em outras, Harry vidrado em mim quase não piscava e tive a impressão que algumas vezes esquecia-se de respirar.
- Você teve alucinações comigo? Antes de me conhecer pessoalmente? Como isso é possível? – Harry finalmente falou depois de algum tempo digerindo tudo em silencio.
- Eu não sei, nem os médicos conseguiram explicar.
- Eu falei que nossa historia era de outras vidas – Harry parecia tranquilo agora.
- Me desculpe Harry é que eu tinha um plano antes de você aparecer.
- Morrer aproveitando o resto da sua vida? Sem lutar? Por quê? – Ele apertou minha mão.
- Seria uma batalha perdida Harry. – Falei de cabeça baixa, ele levantou meu queixo.
- Não tem como saber se não lutar. Karen tudo mudou quando nos conhecemos, agora você tem motivo pra lutar, eu serei sua razão pra lutar contra a morte, eu vou estar ao seu lado em cada batalha e verei sua vitoria, então nosso amor será a recompensa. – Harry falou segurando meu rosto cheio de lagrimas, seus olhos verdes estavam brilhando com as lagrimas querendo sair.
- Amor não cura isso Harry, é 5% de chance. Nem o amor pode contra isso.
- Não me importo qual a porcentagem, isso é apenas um numero. Karen às vezes podemos vencer, então quero que você lute, por mim, por sua família e principalmente por você. Se a minha opinião conta alguma coisa faça isso.
- O, Obrigado – Gaguejei. Não conseguia acreditar na reação do Harry a tudo aquilo.
- Estarei com você. Eu te amo Karen. – Agora ele chorava.
- Eu também te amo Harry – Me senti livre ao finalmente admitir aquilo.
Beijamos-nos e ali choramos por um longo tempo, juntos. Apesar de tudo sabíamos o que nos esperava, mas estar juntos era o que bastava.
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